domingo, 18 de janeiro de 2009
Roses can be so lovely.
Ainda estava deitada, a cama parecia confortável há alguns poucos minutos- ou seriam horas? - atrás. Não queria mais ficar alí, mas com que forças se levantaria? O corpo não estava cansado, apenas sua alma e seu coração. O quarto estava escuro, a janela meio aberta. As cortinas, arrancadas na fúria sem convicção, jaziam no chão gélido. O estômago roncava fervosamente, desde ontem não comia nada. Já era noite e o ar úmido a estava incomodando. Um arrepio percorreu seu corpo quando o vento adentrou o quarto. Pastanejou molemente, o rosto estava quente e algumas lágrimas se despregaram dos olhos ardentes, trilhando um caminho tortuoso pelo nariz e bochechas. Sentou-se, cabisbaixa. Os pés abandonaram a cama e balançavam livremente em um compasso cansado. Olhou para os próprios pés, a vista embaçada clareava aos poucos. Evitou respirar fundo, pois sabia que se assim fizesse mais uma crise de choro viria. Fechou os olhos e mordeu um canto da boca. Apoiou as mãos nos joelhos e abriu os olhos. Levantou-se e esperou pela pequena tontura que sempre sentia ao se levantar. Ela não veio. Estranho, mas não se importou. Secou o rosto com a barra da blusa branca. Ajeitou os cabelos com as duas mãos. Olhou pela janela e viu a lua pequena, mas brilhando ao longe. Estava com frio mas mesmo assim sentou-se no parapeito. A briza fria trazia o cheiro da dama-da-noite. Não ligando para os pensamentos anteriores, respirou fundo, sorvendo o odor maravilhoso que tanto amava. Olhou para o telhado plano e viu a rosa, aquela rosa. Ela estava quase caindo, um pouco de suas pétalas traçavam um caminho da janela até onde prostrava. Sentiu-se um pouco culpada então decidiu buscá-la. Subiu no telhado. Tinha medo de cair, mas queria por tudo aquela rosa. Alcançou-a com dificuldade. Temeu olhar para baixo. Segurou firmemente no caule e acabou se ferindo com os espinhos, mas mesmo assim não soltou a flor. Conseguiu chegar até seu quarto em segurança e então depois de toda a loucura, fechou a janela. Apoiou-se na parede e vislumbrou a rosa em sua mão. Ele a tinha dado quando disse que teria que ir embora. Sorriu ao lembrar-se de seu sorriso. Balançou a cabeça e viu seu celular piscando em cima de sua escrivaninha. Correu para atender a ligação, nem mesmo olhou para ver quem era. "Eu te amo", disse. Uma pequena pausa. "Também amo você", ouviu-o responder.
Postado por
Chega sempre a hora em que não basta apenas protestar: após a filosofia, a ação é indispensável. (Victor Hugo)
às
14:34
Marcadores:
ashes.,
Ben harper,
inconstância.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário