Eu estava vendo-o jogar aquele jogo idiota no laptop. Qual o objetivo afinal? E como, por Deus!, você saberia onde tem uma bomba ou não? Eu ri quando ele selecionou um quadradinho e todas as bombas explodiram. Eu me acomodei melhor no sofá enquanto ele, no chão, recomeçava o jogo. "Começa pelos cantinhos", eu disse. "Hum", ele murmurou, mas não começou pelo cantinhos. Girei os olhos e cruzei os braço. Fala sério, pensei. Vi-o contar algo depois clicar em um quadradinho ao lado de uma carreira de números dois e um. "Vai pelos cantinhos." Ele nem mesmo disse "hm"! Sentei-me no sofá com as pernas cruzadas. Apoiei meu cotovelo na perna e assim apoiei meu rosto na palma da minha mão. Fiquei encarando a tela do minicomputador sem entender o que ele fazia. Mais um quadradinho e bum! Girei os olhos quando ele recomeçou o jogo pela sétima ou oitava vez. Sorri quando ele começou pelos cantos e quando clicou no último cantinho... Bum! Eu ri tanto que tive que deitar para não cair. Ele me olhou de lado com um sorriso no rosto como se dissesse, 'foi você quem mandou'! Dei de ombros e o vi mudar de jogo. Cartas. Adoro jogar cartas no computador. Qual é mesmo o nome? Ah, sim. Freecell. "Coloca o três de paus no quatro de copas, aí tira o nove de ouro e coloca no dez de ouro do canto.", eu tentei ajudá-lo. "Pára de falar.", ele resmungou e não fez o que eu falei para ele fazer. Continuou a jogar, às vezes ele trapaceava com a ajuda, mas jogava sozinho. Por vezes eu soltava alguma dica e era recebida com paus e pedras. Parei de falar assim que ele disse que não jogaria mais se eu continuasse. Deitei-me e tentei ver tv, mas com o rabo de olho eu sempre olhava para o jogo. Sorri quando ele venceu. "Eu gostava mais do outro windows, o finalzinho do vista é muito sem graça." Eu sorri, sabia que ele não esperava que eu respondesse. Tanto faz, já era noite ou seria tarde? Não me lembro. Era bom ficar com ele, só daquele jeito. "Quer meu travesseiro?", perguntei. Ele me olhou com o sorriso que sempre era meu e se desencostou um pouco do sofá. Coloquei o travesseiro e ouvi-o sussurrar obrigada. Um dia comum, um dia bom.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Campo minado.
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Chega sempre a hora em que não basta apenas protestar: após a filosofia, a ação é indispensável. (Victor Hugo)
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09:08
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