sábado, 31 de janeiro de 2009

Espelho


Não olhe para ele, olhe para o espelho e então você o verá.

Desabafo.

Tudo bem, eu não posso reclamar porque não fui exatamente a pessoa mais honesta entre todas, eu tenho problemas e segredos como qualquer outro ser humano. A questão é que sinceramente, eu to cansada! E tem aquela frase, coisas boas vêm para pessoas que esperam e coisas ruins acontecem com aqueles que têm pressa. O motivo não é pressa, é só que eu já esperei demais, tanto que eu não sei o que esperar neste momento. E tudo vem em uma avalanche, quando eu menos espero. Eu cansei de tanto reclamar, caramba! Uma vez, uma vezinha só eu gostaria que fosse certo mesmo não sendo completamente assim. Tô pra mandar tudo para os ares. E outra, pode chamar de ciúmes e pode me chamar do que for, eu to me lixando agora. E nem sei porquê to insistindo, afinal, um ano é tanta coisa! E então, acabei de concluir que tudo o que escrevi é completamente inutil, sem qualquer poesia, sem qualquer enrolação. Muito bem. Que se dane!

Traindo a mim mesma.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Promessas.

Prometo esse ano estudar todos o dias mesmo quando tudo o que eu quero seja dar um ponta pé em todos os meus livros e em algumas pessoas também.
Prometo não dormir quando eu estiver rezando e se por um acaso inofortuno isso ocorrer, bem, eu peço desculpas quando acordar.
Prometo não deixar que ninguém me desanime ou me deixe para baixo.
Prometo que não vou gastar minhas horas sagradas pensando em alguém que não merece, para as outras a gente reserva alguns minutos ou talvez alguns sonhos.
Prometo que vou ser bem organizada.
Prometo que não vou deixar meu quarto bagunçado.
Prometo que vou fazer todas as tarefas de casa.
Prometo que não vou tirar notas ruins, apesar de que muito raramente eu tire.
Prometo que não vou me enrolar esse ano, bem, eu prometo tentar, ninguém é perfeito.
Prometo que não vou ficar no msn conversando sendo que eu deveria estar estudando, mas nos fins de semana a gente abre um espacinho (neah?).
Prometo que vou treinar as músicas que o Ricardo me pede para pegar.
Prometo que dessa vez eu vou conseguir tocar Pressure inteirinha.
Prometo que não vou desrespeitar ninguém e não vou discutir quando desnecessário (nota-se, eu nem sei porquê estou prometendo isso!)
Prometo que vou estudar para passar em primeiro lugar nos vestibulares para que eu prestar. (Minha vingança, e eu vou pra São Paulo, ou Rio de Janeiro, que seja!)
Prometo que serei uma boa menina.
E finalmente prometo que vou tentar cumprir tudas essas promessas;

Sorte pra mim, que sorte que nada;

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

The Nicest Thing - Kate Nash

All I know is that you're so nice,
You're the nicest thing I've seen.
I wish that we could give it a go,
See if we could be something.

I wish I was your favourite girl,
I wish you thought I was the reason you are in the world.
I wish I was your favourite smile,
I wish the way that I dressed was your favourite kind of style.

I wish you couldn't figure me out,
But you always wanna know what I was about.
I wish you'd hold my hand when I was upset,
I wish you'd never forget the look on my face when we first met.

I wish you had a favourite beauty spot that you loved secretly,
'Cos it was on a hidden bit that nobody else could see.
Basically, I wish that you loved me,
I wish that you needed me,
I wish that you knew when I said two sugars, actually I meant three.

I wish that without me your heart would break,
I wish that without me you'd be spending the rest of your nights awake.
I wish that without me you couldn't eat,
I wish I was the last thing on your mind before you went to sleep.

All i know is that you're the nicest thing I've ever seen;
I wish that we could see if we could be something

Preto

Pensei por um breve instante, inconstante e intolerante que talvez pudesse ser um leve, grande, bobo e ultrajante engano daqueles que te cercam e te dilasceram por dentro e então no último minuto te deixam sangrar com a verdade de uma mentira;
Desviar a atenção por segundos por causa de uma esperança já perdida no tempo e nos momentos em que tudo parece estar certo e errado;
Quis evitar pensar, deixei as dúvidas para as folhas riscadas em caneta preta;
Se eu pudesse traduzir o que sinto com certeza assim o faria, mas o que você quer de mim?
Já tô muito desgastada para joguinhos e palavras implicitas, cansada demais para esperar você se decidir se me ama ou se realmente se sente assim.
Não quero precisar te pedir para me querer se você ainda não entendeu.
Não quero precisar ter que te perguntar sempre se você está bem, me fale antes que eu pense em perguntar;
Tudo o que eu quero é saber quem você é, me diga, me mostre;
Te perder nas palavras e nos meus medos é o pior dos pesadelos...
Eu me parti em duas e você não percebeu, metade de mim é sua e mesmo assim;
Deixar tudo dos avessos.
Ai de mim.

Air

I feel as I'm breathless, I'm restless; And believe me, this piano isn't really helping. Okay, here's the thing... I'm not fucking cared about this right now! I hate how you make me dizzy and how I feel when you're not around or even when you are. Oh, and I hate the way you play with me even you don't knowing you do that; I don't know what to think, what to believe in. It kills me inside. So deeply. I have no idea of what you feel, what you want from me. You say but act in a different way. It drives me crazy, I hate to be so dependent from you. It hurts so bad, I'm felling nauseous. I don't know what else to write, it's so confusing to think. Silence may be my best word. Just... Well, don't know.

Feeling my stomach flies away

And sometimes you are all that I hate in one same thing
And sometimes all I want is for you to desappear
When you come and smile like you do, I swear I feel so bad
These butterflies are killing my inside
These doubts keep spining around my mind

O Fabuloso Destino De Amelie Poulain

Por que sonhar? Ela perguntou, Por quê?
Razão oblíquoa sem sentido saber
Fragmentos de vidas perdidos
Em mundos esquecidos
O vento bate contra o rosto e se vai
Só volta quando quer, cansado demais
Deitada contra o chão frio da varanda
O que está a pensar?

Quis voar e caiu sem ver que nem sentiu
Agarrou-se tanto ao tempo que se esvaiu
Pulou mas já estava perto demais do chão
Deixou todos os seus sonhos escaparem de suas mãos
Viu a vida passar diante dos olhos fechados
Sem entender o que fizera de tão errado
A porta está aberta e ainda assim não quer passar
Medo constante e lascivamente cortante de se deixar
Ir...

Escolhas e noites que não soube aproveitar
Retratos calados dos quais não consegue se lembrar
Do que adianta pensar sobre fatos que não vão mudar?
Por que simplesmente desistir e parar de tentar?
Procura sempre as estrelas quando o sol brilha meio-dia
Se escondia em caixas vazias para ignorar o que sentia
Conspirando contra as horas que ainda estão por vir
Chegou a hora de reagir

Se quiser gritar, então grite o mais alto que puder
Se quiser correr, então corra até doer seus pés
Se quiser fugir, segure minha mão e eu te levarei
Até onde seus pensamentos não conseguem alcançar
O que quiser, apenas faça

Quis voar e caiu sem ver que nem sentiu
Agarrou-se tanto ao tempo que se esvaiu
Pulou mas já estava perto demais do chão
Deixou todos os seus sonhos escaparem de suas mãos
Viu a vida passar diante dos olhos fechados
Sem entender o que fizera de tão errado
A porta está aberta e ainda assim não quer passar
Medo constante e lascivamente cortante de se deixar
Ir...

domingo, 25 de janeiro de 2009

Voando alto.

Quanta coisa pra fazer de uma vez só. A viagem era de alguns poucos dias, três talvez quatro. Já tinha tomado banho, já tinha se vestido, já tinha feito tudo o que precisava ser feito. Olhou no relógio e viu que já era hora de ir para o aeroporto. Pegou as passagens e entrou no carro. O bom de se morar do lado de fora da cidade é que não precisaria dirigir muito para chegar no local desejado. Pensamentos e mais pensamentos. Longe dele, ficaria longe dele por algum tempo. Era pouco, mas parecia tanto. Nem mesmo se despedira, talvez um vascilo do destino. Sorriu ao se lembrar da aliança sem um pedaço. História longa, engraçada. Balançou a cabeça e percebeu que já se encontrava em sua poltrona, no devido lugar; assento 5 B. Sentiu o solavanco quando viu que deixavam o chão. Fechou os olhos. O que sonhou? O que importava... Abriu os olhos ao aterrissarem. Ajeitou-se na poutrona e olhou no relógio de pulso. Vinte para as sete da noite. Esperou que todos se levantassem e então se levantou. Andar de avião não era uma coisa que ela amasse fazer, mas tudo bem. Chegou na área de desembarque e logo viu seu tio esperando. Passou pela porta de vidro e correu para abraçá-lo. Sentia saudades, saudades de casa. Aquele sorriso cativante fazia a viagem valer a pena. "Cadê suas bagagens?", perguntou-a. "Bagagens?", repetiu confusa. Um pequeno clique em sua mente e sorriu sem graça. "Esqueci completamente!", respondeu com a mão sobre a cabeça. "Meu Deus, em que você pensava?", ele perguntou divertido. O melhor seria em quem. Sorriu e deu de ombros." Voando alto, talvez.", respondeu.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Campo minado.

Eu estava vendo-o jogar aquele jogo idiota no laptop. Qual o objetivo afinal? E como, por Deus!, você saberia onde tem uma bomba ou não? Eu ri quando ele selecionou um quadradinho e todas as bombas explodiram. Eu me acomodei melhor no sofá enquanto ele, no chão, recomeçava o jogo. "Começa pelos cantinhos", eu disse. "Hum", ele murmurou, mas não começou pelo cantinhos. Girei os olhos e cruzei os braço. Fala sério, pensei. Vi-o contar algo depois clicar em um quadradinho ao lado de uma carreira de números dois e um. "Vai pelos cantinhos." Ele nem mesmo disse "hm"! Sentei-me no sofá com as pernas cruzadas. Apoiei meu cotovelo na perna e assim apoiei meu rosto na palma da minha mão. Fiquei encarando a tela do minicomputador sem entender o que ele fazia. Mais um quadradinho e bum! Girei os olhos quando ele recomeçou o jogo pela sétima ou oitava vez. Sorri quando ele começou pelos cantos e quando clicou no último cantinho... Bum! Eu ri tanto que tive que deitar para não cair. Ele me olhou de lado com um sorriso no rosto como se dissesse, 'foi você quem mandou'! Dei de ombros e o vi mudar de jogo. Cartas. Adoro jogar cartas no computador. Qual é mesmo o nome? Ah, sim. Freecell. "Coloca o três de paus no quatro de copas, aí tira o nove de ouro e coloca no dez de ouro do canto.", eu tentei ajudá-lo. "Pára de falar.", ele resmungou e não fez o que eu falei para ele fazer. Continuou a jogar, às vezes ele trapaceava com a ajuda, mas jogava sozinho. Por vezes eu soltava alguma dica e era recebida com paus e pedras. Parei de falar assim que ele disse que não jogaria mais se eu continuasse. Deitei-me e tentei ver tv, mas com o rabo de olho eu sempre olhava para o jogo. Sorri quando ele venceu. "Eu gostava mais do outro windows, o finalzinho do vista é muito sem graça." Eu sorri, sabia que ele não esperava que eu respondesse. Tanto faz, já era noite ou seria tarde? Não me lembro. Era bom ficar com ele, só daquele jeito. "Quer meu travesseiro?", perguntei. Ele me olhou com o sorriso que sempre era meu e se desencostou um pouco do sofá. Coloquei o travesseiro e ouvi-o sussurrar obrigada. Um dia comum, um dia bom.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Chuva.

Corriam para baixo de uma pequena venda fechada. Chovia forte e seus corpos estavam quase todo molhados. Arfavam e riam, depois pararam. Olharam-se e no mesmo instante desviaram os olhos. Na rua não se via uma alma viva, nem mesmo carros. A cidade parecia totalmente abandonada naquela região onde se encontravam. Não sabiam quais palavras dizer, como agir... Um silêncio constrangedor quebrado apenas pelos pingos batendo nas telhas e no chão. Era pouca a intimidade, amigos desde muito, amantes desde pouco. Ele procurava em sua mente imagens, lembranças ou peças para o quebra-cabeça que montava por si só. Ela remexia as mãos em desconforto, tentando advinhar o que se passava na cabeça do garoto de cabelos pretos ao seu lado. Os olhos castanhos não ousavam chocar-se com os azuis, mas precisavam daquele conforto que só ele a conseguia proporcionar. Sorriu olhando para o lado, suas bochechas estavam rosadas, lembrava-se do primeiro encontro, do primeiro toque e da primeira vez em que se olharam tão profundamente. Ele pareceu perceber o riso escondido e então passou a mirá-la sem entender. Ela como se sentisse o olhar inquietante, virou o rosto e fitou-o também. O sorriso ainda estava em seu rosto molhado. Ele sorriu quando se lembrou de algo. Aquele sorriso... De todos o mais perfeito e mais aconchegante. Ele olhou para o céu e disse, "Você falou que nunca foi beijada na chuva, não foi?". Ela o olhou sem entender, mas afirmou silenciosamente com a cabeça. Foi pega de surpresa quando a mão forte do garoto a puxou para a rua. Seus lábios se tocaram, suaves e deslizantes. Apenas assim, juntos e completos. Um dia de chuva.

Roses can be so lovely.

Ainda estava deitada, a cama parecia confortável há alguns poucos minutos- ou seriam horas? - atrás. Não queria mais ficar alí, mas com que forças se levantaria? O corpo não estava cansado, apenas sua alma e seu coração. O quarto estava escuro, a janela meio aberta. As cortinas, arrancadas na fúria sem convicção, jaziam no chão gélido. O estômago roncava fervosamente, desde ontem não comia nada. Já era noite e o ar úmido a estava incomodando. Um arrepio percorreu seu corpo quando o vento adentrou o quarto. Pastanejou molemente, o rosto estava quente e algumas lágrimas se despregaram dos olhos ardentes, trilhando um caminho tortuoso pelo nariz e bochechas. Sentou-se, cabisbaixa. Os pés abandonaram a cama e balançavam livremente em um compasso cansado. Olhou para os próprios pés, a vista embaçada clareava aos poucos. Evitou respirar fundo, pois sabia que se assim fizesse mais uma crise de choro viria. Fechou os olhos e mordeu um canto da boca. Apoiou as mãos nos joelhos e abriu os olhos. Levantou-se e esperou pela pequena tontura que sempre sentia ao se levantar. Ela não veio. Estranho, mas não se importou. Secou o rosto com a barra da blusa branca. Ajeitou os cabelos com as duas mãos. Olhou pela janela e viu a lua pequena, mas brilhando ao longe. Estava com frio mas mesmo assim sentou-se no parapeito. A briza fria trazia o cheiro da dama-da-noite. Não ligando para os pensamentos anteriores, respirou fundo, sorvendo o odor maravilhoso que tanto amava. Olhou para o telhado plano e viu a rosa, aquela rosa. Ela estava quase caindo, um pouco de suas pétalas traçavam um caminho da janela até onde prostrava. Sentiu-se um pouco culpada então decidiu buscá-la. Subiu no telhado. Tinha medo de cair, mas queria por tudo aquela rosa. Alcançou-a com dificuldade. Temeu olhar para baixo. Segurou firmemente no caule e acabou se ferindo com os espinhos, mas mesmo assim não soltou a flor. Conseguiu chegar até seu quarto em segurança e então depois de toda a loucura, fechou a janela. Apoiou-se na parede e vislumbrou a rosa em sua mão. Ele a tinha dado quando disse que teria que ir embora. Sorriu ao lembrar-se de seu sorriso. Balançou a cabeça e viu seu celular piscando em cima de sua escrivaninha. Correu para atender a ligação, nem mesmo olhou para ver quem era. "Eu te amo", disse. Uma pequena pausa. "Também amo você", ouviu-o responder.

Crônicas de um louco sem sentido.

Rua cheia, coração sem fim. O ar era poluído, o trânsito congestionado, o cheiro de óleo impregnava a roupa. Limpava os olhos com a mão suja. Olhou para o céu e viu uma única estrela. Pequena, mal brilhava, parecia tão só, encolhida e um tanto escondida pela nuvem de luz que quase a ofuscava. Sentou-se no banco quente da praça, ninguém andava, apenas os carros o faziam companhia. Pegou a manga surrada da blusa que usava há mais de semanas. Segurou-a molemente e então a rasgou e a colocou entre as mãos. Esticou o pequeno pedaço de tecido e colocou-o ao seu lado no banco onde estava sentado. Sorriu e se levantou. Passou a mão pelo cabelo oleoso e começou a andar pela calçada escura e solitária com seus pés descalços. A estrela continuava no lugar, forte e corajosa. Hoje andaria sem se importar. Tudo o que somos é aquilo que deixamos para trás porque um dia teremos que partir. Seja lá o que for, deixaria para trás tudo de sí, mesmo que isso significasse um pedaço de uma blusa surrada, pegadas invisíveis, memórias de ninguém, histórias não ditas, palavras sem sentido ou sorrisos escondidos. Pode ser que ninguém vá ligar um dia. Pode ser que nem mesmo se importem hoje. Mas ainda assim, terá deixado tudo o que pôde e isso é o que realmente importa. Porque viver significa... viver.