domingo, 18 de janeiro de 2009

Crônicas de um louco sem sentido.

Rua cheia, coração sem fim. O ar era poluído, o trânsito congestionado, o cheiro de óleo impregnava a roupa. Limpava os olhos com a mão suja. Olhou para o céu e viu uma única estrela. Pequena, mal brilhava, parecia tão só, encolhida e um tanto escondida pela nuvem de luz que quase a ofuscava. Sentou-se no banco quente da praça, ninguém andava, apenas os carros o faziam companhia. Pegou a manga surrada da blusa que usava há mais de semanas. Segurou-a molemente e então a rasgou e a colocou entre as mãos. Esticou o pequeno pedaço de tecido e colocou-o ao seu lado no banco onde estava sentado. Sorriu e se levantou. Passou a mão pelo cabelo oleoso e começou a andar pela calçada escura e solitária com seus pés descalços. A estrela continuava no lugar, forte e corajosa. Hoje andaria sem se importar. Tudo o que somos é aquilo que deixamos para trás porque um dia teremos que partir. Seja lá o que for, deixaria para trás tudo de sí, mesmo que isso significasse um pedaço de uma blusa surrada, pegadas invisíveis, memórias de ninguém, histórias não ditas, palavras sem sentido ou sorrisos escondidos. Pode ser que ninguém vá ligar um dia. Pode ser que nem mesmo se importem hoje. Mas ainda assim, terá deixado tudo o que pôde e isso é o que realmente importa. Porque viver significa... viver.

Nenhum comentário:

Postar um comentário